Processo Decisório e Consciência Situacional

Ano longo este, parecem longos os meses, as horas, tudo se parece mais longo que o habitual. E para variar caiu avião de tudo que é tamanho, forma, local e operador. Este longo 2018 provocou a perda de vidas e de cascos, indo desde um pequeno avião no interior de Portugal até um novo 737 na Indonésia, passando por um sem número de aviões e helicópteros, indo desde possantes 7X até C-152 e um grande número de King Air. Foi acidente em tudo que é país, meteorologia, aeroporto, experiência dos pilotos. E aí? Azar? Bruxa? Ano ruim? Conjunção astral? No! Avião cai porque voa! Simples assim! E voar é uma atividade de risco, portanto sujeita a não dar certo no final. Aliás o mesmo risco que você teve hoje ao sair de casa e pegar seu carro para se deslocar, ou pegar o ônibus, sua bike ou mesmo ir a pé até a padaria tomar um café.

Vamos então por partes? Inicialmente você não se torna um expert em aviação simplesmente lendo na internet ou voando seu poderoso flight simulator, aviador não é generalista, mas sim extremamente direcionado, eu por exemplo voo aviação comercial de longo curso, portanto não sou especialista em helicóptero, aviação executiva, aviação geral. Não frito hambúrguer nem conserto rádio ou relógio. E aí começa o problema, a referência para muitos é o especialista ou o estudioso que nunca, repito, nunca esteve naquele cenário para compreender as variáveis envolvidas nem muito menos o dinamismo do processo decisório quando uma situação de risco acontece. Pingos nos is podemos seguir em frente? Vou reforçar antes, sua página na internet, seu blog, seu Instagram não te torna especialista em nada, a não ser em blog, Instagram e internet e isto é muito pouco em uma atividade que lida em transportar vidas humanas, ok? Aperte seu cinto e vai tirar foto que será muito mais útil para o todo. Não posso opinar? Claro! Opine, sugira, fale, PORÉM não oriente, não determine, não crie regras ou divida um conhecimento que não possui. Simbora entender?

Como já escrevi sobre (só dar um search) o que derruba avião (na grande maioria) é processo decisório pobre ou decisão de má qualidade além de consciência situacional deficiente, a tah, mas e aí? Pode isto Arnaldo? Processo decisório pobre não se restringe ao voo em si, mas as decisões que você toma antes de acelerar os motores para decolar e estas podem ser a molas que irão impulsionar seu avião de nariz para o morro ou montanha. Não decolei e já cai? Isto mesmo, a simples decisão de optar em decolar em um cenário de tempo marginal tanto na origem como no destino são o tempero que faltava na panela chamada acidente. A decisão de pousar e ou aproximar abaixo dos mínimos meteorológicos no destino está tomada muito, mas muito antes de sair de casa para voar, se tornou hábito, está incorporada no risco potencial de seu futuro voo. Isto é, você se torna um acidente em potencial, a sorte ou o azar é que na maioria das vezes dá certo, até dar errado. E o alerta situacional? Quem é este desconhecido? No “aviones” se trata de ir ou de fazer o que se planejou ou projetou fazer, exemplo? Fez um briefing no qual após a sua decolagem a curva seria à esquerda, se você curvar à direita não estará indo no sentido que planejou ou combinou no briefing com seu colega na cabine, fácil? Tem remédio? Claro, normalmente reduzir o nível de automatismo e ou permitir um ambiente mais assertivo são remédios que curam não os sintomas, mas a doença toda. Tem remédio geral? Tipo aquela aspirina, até tem, só tomar um genérico contra complacência, o hábito reduz nossas defesas, é como começar o jogo ganhando sempre de 5 x 0, você vai se esforçar na defesa para que? Com esta vantagem toda o jogo já está ganho. Aviador sai sempre ganhando o jogo de 10 x 0, a diferença que uma bola, apenas uma no Gol, termina o jogo! Vamos tentar um 2019 diferente?

Segue o jogo!

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