Pensando diferente – Safety e Fatores Humanos

Há mais além da causa

Não é de hoje que ouvimos falar a respeito de Fatores Humanos. O assunto tem sido tema de recorrentes estudos, descobertas e avanços no campo da psicologia do trabalho e organizacional, cujo interesse é em tornar mais seguras as atividades que trazem risco à vida.

Em poucas palavras, se é que é possível (honestamente, acho que não é, mas irei tentar assim mesmo), tratar de Fatores Humanos seria abordar um conceito interdisciplinar, que estuda e avalia condicionantes de performance na interação entre os serem humanos e os sistemas nos quais estão inseridos.

Pensando diferente, por quê?

Ao relacionar o tema dos Fatores Humanos à segurança, seja no aspecto psicológico, médico ou ergonômico, é natural que iniciemos o nosso raciocínio pontuando os riscos que o próprio ser humano irá constituir ao ser inserido em um sistema.

Contudo, uma nova abordagem para Fatores Humanos exige um tipo diferente de pensamento sobre segurança. Um pensamento que veja as pessoas como fonte de diversidade, discernimento, criatividade e sabedoria, não como fontes de riscos que comprometem um sistema de certa forma seguro. Um pensamento que seja mais instintivo a confiar nas pessoas e questionar os processos (sobretudo os burocráticos). Um pensamento que esteja mais comprometido em prevenir danos, do que em parecer adequado.

 Um indicador de desempenho (Key Performance Indicator) é um valor mensurável que demonstra a eficácia com que uma organização estaria alcançando os seus principais objetivos.

Organizações utilizam KPIs em vários níveis, desde o mais alto nível, como no desempenho geral da organização, até o controle de processos em departamentos específicos.

Todavia, como falamos anteriormente, é preciso ter arraigada à Cultura de Segurança da organização uma mentalidade fundamentada no pensamento “ser, além de parecer”.

Alguns princípios (desafiadores, até) para se construir esse novo pensamento, são:

É preciso contornar a mentalidade de ver as pessoas como um problema a controlar e vê-las como uma solução para aproveitar.

• É preciso deixar de ver a segurança como um requisito burocrático e vê-la como uma responsabilidade ética.

  • É preciso deixar de lado a ideia de que a segurança figura na ausência de eventos negativos.
  • Uma política de segurança saudável é constituída na presença de um potencial positivo de fazer as coisas darem certo por meio dela e não apesar dela.
  • Um foco em vulnerabilidade deve se tornar um foco em resiliência.

• É preciso afastar-se da linguagem cartesiana, das relações lineares de causa-efeito e das metáforas estáticas.

  • É preciso trocar nossa linguagem de controle, restrição e déficit por uma linguagem de responsabilidade, oportunidade e realização.
Uma prática do bem…

As mudanças e o avanço tecnológico, tradicionalmente, deram origem à maioria de nossos Fatores Humanos e ao pensamento sobre segurança.

As demandas práticas advindas das mudanças tecnológicas conferiram aos Fatores Humanos e à Segurança o teor pragmático que possuem até hoje.

Contudo, precisamos entender: o pragmático deixa de ser pragmático à medida que deixa de corresponder às demandas.

Enquanto isso, não há indícios de que o ritmo das mudanças tecnológicas desacelere tão cedo.

Se nós, tanto em Fatores Humanos quanto numa abordagem de Safety, continuarmos fazendo o que estamos fazendo simplesmente porque funcionou no passado, podemos nos tornar como um daqueles sistemas que caem no fracasso.

A mentalidade pragmática exige que nos adaptemos para lidar melhor com a complexidade do mundo que estamos enfrentando agora.

Nossos sucessos passados ​​não são garantia de realizações futuras contínuas.

Autor: Humberto Farias

Edição: Alexandre Figueiredo

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Alexandre Figueiredo
Alexandre Figueiredo
5 meses atrás

Excelente artigo do nosso Humberto, estreando no site do TFF! Fatores humanos é um dos temas mais importantes na aviação. Parabéns!

Ronald
Safety
Ronald
5 meses atrás

Artigo muito relevante, chamando atenção para uma mudança de atitude tão necessária.

Enio Beal Jr
Enio Beal Jr
5 meses atrás

Excelente reflexão, Humberto. Essa máxima de que “sempre fiz assim e deu certo” é extremamente danosa, não só para os aspectos de Fatores Humanos como também para a Segurança de Voo como um todo.
Parabéns pelo artigo e obrigado por dividir conosco sua experiência.

Humberto
Humberto
5 meses atrás

Obrigado pelo prestígio Srs.
É uma breve exposição de uma abordagem (já consagrada) que deve permear tanto a gestão quanto a “ponta da lança” do toda organização.
Agradeço o tempo dedicado à leitura e comentários motivadores.